Resenha: Achados e Perdidos — Stephen King

Título Original: Finders Keepers
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 400
Lançamento: 2016
Onde Comprar: 

Sinopse: 

“— Acorde, gênio.”

Assim King começa a história de Morris Bellamy. O gênio é John Rothstein, um autor consagrado que há muito abandonou o mundo literário. Bellamy é seu maior fã e seu maior crítico. Inconformado com o fim que o autor deu a seu personagem favorito, ele invade a casa de Rothstein e rouba os cadernos com produções inéditas do escritor, antes de matá-lo. Morris esconde os cadernos pouco antes de ser preso por outro crime. Décadas depois, é Peter Saubers, um garoto de treze anos, quem encontra o tesouro enterrado. Quando Morris é solto da prisão, depois de trinta e cinco anos, toda a família Saubers fica em perigo. Cabe ao ex-detetive Bill Hodges e a seus ajudantes, Holly e Jerome, protegê-los de um assassino agora ainda mais perigoso e vingativo.

Opinião:


Segundo livro da trilogia policial onde Stephen King dá vida ao policial aposentado Bill Hodges, já apresentado no seu romance anterior: Mr. Mercedes.

Logo nas primeiras páginas o livro apresenta o peso habitual de King: uma invasão à residência do famoso e recluso escritor John Rothstein, comandada por um grande fã, chamado Morris Bellamy. Sabendo que fazia tempo que o autor estava afastado e sem lançar um novo livro, ele e seus comparsas invadem a casa do autor que pensa que os ladrões querem somente suas economias. Mas não, Bellamy sabe muito bem o que procura, obriga Rothstein a entregar-lhe seus cadernos, com mais histórias escritas a mão, incluindo uma do seu principal personagem, Jimmy Gold.

Bellamy mata seu ídolo rouba suas anotações e economias. Ele sabia que poderia ganhar muito dinheiro vendendo aqueles livros originais, ainda inéditos. Mas sua idolatria era maior que sua ganância e ele queria aquelas obras somente para ele. Então as esconde dentro de uma caixa embaixo de um tronco de árvore perto da sua casa.

Mas um belo dia, Bellamy é preso, por outro terrível crime. Condenado, espera 35 anos para rever seus bens mais preciosos. Quando ganha sua liberdade condicional vai procura-los imediatamente e encontra a caixa onde tinha guardado os cadernos e o dinheiro roubado de John, porém não existe mais nada dentro dela, alguém o roubou.

Esse alguém é um garoto chamado Pete Saubers, que usa o dinheiro achado para ajudar sua família a superar uma grave crise, além de ter a ideia de vender os livros inéditos para algum dono de Sebos literários.

É onde tudo começa a dar errado para o adolescente.

Este segundo livro se liga muito bem ao primeiro, a sequência se encontra com a parte inicial de uma maneira fluida, sem coisas bizarras acontecerem para que Hodges, Jerome e Holly se unam novamente para resolver mais uma história, nem que algo difícil de se acreditar os liguem ao garoto Pete, para ajuda-lo.

Porém, mais uma vez senti falta daquele terror da maioria dos livros de King. Assim como não é um livro de terror, este romance policial também não envolve nenhum mistério, King nunca esconde nada do leitor, buscando somente que fiquemos apenas ansiosos para saber como a história se desenrolará. E é nisso que King é um mestre, a cada palavra ele consegue deixar você mais agitado para saber como cada personagem ficará no capítulo seguinte e se no próximo instante algo de ruim poderá acontecer, e como sempre nos livros de King: ALGO DE RUIM ACONTECE!

O livro tem um enredo bastante enrolado e cansativo, na minha opinião. Stephen King demora muito para deixar a história emocionante, fica longe das grandes publicações do autor, mas é indispensável lê-lo para continuar por dentro da trilogia do Detetive Hodges.

O livro foi lançado em 2015, nos Estados Unidos, com o nome de “Finders Keepers”, uma expressão que traduzida para o português seria o famoso ditado “Achado não é roubado”, e que faz todo sentido para o livro, assim como a capa americana do livro, uma árvore com uma caixa entre seus galhos. Mais uma vez as editoras BR deixam a desejar, mudando o titulo para algo que acham que venderia melhor e deixando de lado a real intenção que o autor teve ao intitular sua obra. Achados e perdidos não faz o MENOR sentido para o livro e você jamais entenderia o porque do título em português. Como já se tornou comum em filmes, parece que agora estragam os nomes dos nossos livros, na hora de traduzi-los, também.

O livro chegou a ficar na primeira posição da lista de mais vendidos do jornal americano, The New York Times, mostrando que vendeu muito bem por lá, se tornando mais um best-seller de King.

“End of Watch”, algo como “Fim do Turno” será lançado ainda em 2016 para encerrar a trilogia. Vamos torcer para que desta vez a tradução não estrague o significado do titulo e que tenhamos uma capa brasileira melhor.

King segue diferente dos escritores comuns e consegue fazer mais um bom livro policial sem precisar que ele envolva mistério. É incrível como ele consegue prender o leitor sem que você sinta a necessidade de descobrir quem é o assassino misterioso, como na maioria dos livros do gênero.

Longe de ser um dos seus melhores trabalhos, “Achados e Perdidos” é nada mais que um livro de transição da sequência, que liga o primeiro livro ao que ainda virá, provavelmente fundamental para a história.

Classificação:

11 comentários

  1. Se vc gosta do King e quer porque quer ler todos os livros dele (ou pelo menos a maioria) sempre vai se deparar com altos e baixos. Mas os livros bons com certeza compensam os medianos e até os ruins.

    Vou começar a ler essa trilogia tbm, adoro romance policial e adoro o King, então não tem co mo não lê-los. kkk...

    Abraços..

    Blog New World

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    1. Sem dúvida, não são todos livros dele que são dignos de um filme ou de 5 estrelas. Mas a trilogia sem dúvida nenhuma é uma ótima leitura.

      O principal ponto que quis abordar na resenha, e que também foi o meu principal sentimento, é que é BEM diferente de tudo que o King já fez, acho que essa era a intenção dele e ele consegue isso com maestria. O que não apaga a pequena decepção que se tem quando se lê imaginando que vai encontrar terror e sangue por todos lados como de costume.

      abraço, confira também a resenha anterior, do primeiro livro da trilogia, Mr. Mercedes.

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  2. Senti uma referência a Misery nessa história de fãs enlouquecidos. Não sabia que esse livro não retomaria a história de Brady. Confesso que m decepcionei um pouco. Muito boa a resenha, passou bem as suas impressões.

    http://porquelivronuncaenguica.blogspot.com.br/

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    1. Senti a mesma referência também, como é bem normal nos livros de King. Achei que ele encaixou bem a história de Brady no livro, inclusive não falei disso na resenha para não dar spoiler, mas é um livro de transição e que deixa bem claro que no próximo livro, que deve ser o último da série, ele voltará. Como eu disse, este livro é uma obra de transição entre o primeiro e o último livro.

      Obrigado pelos elogios, me segue no twitter para trocarmos uma ideia @bastos2612 . Abraço.

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  3. Olá, muito boa a resenha, King é um dos meus escritores favoritos. Esse não li ainda, mas está na lista. Muito legal o blog, já estou seguindo!

    Beijos, Jana!

    Blog Viajei nas EntreLinhas
    Face Viajei nas EntreLinhas
    @ViajNasE_Linhas

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  4. O Mr. Mercedes é enfadonho até mais de sua metade. Melhora bastante a partir daí. Parece que Achados e Perdidos segue na mesma direção. Pena....

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  5. Olá, hoje venho dizer que acompanho de perto o seu trabalho e que você foi escolhido pelo blog Eu Li nas EntreLinhas para receber o Selo Prêmio Dardo Bloggers!
    Selo Prêmio Dardo Bloggers

    Beijos, Jana!

    Blog Eu Li nas EntreLinhas

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  6. Gostei da resenha, porem não me deixou com tanta vontade de ler por lembrar de Misery. Me recomendariam outro livro dele? Misery foi o primeiro livro dele que li e gostei muito.

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  7. Agora que ja posso me considerar um fa d vdd do mestre ( por ter lido ao menos cinco obras dele), posso comentar tbm. Gostei de Mr Mercedes principalmente do meio p o fim tbm. Ele se torna mais emocionante. Concordo q nao é de suas melhores criaçoes, mas da pro gasto até a próxima prima dele. Revival é ótima pedida para os duvidosos. Nao posso ser mais detalhista pq o autor esta resenha ja o fez, então é tudo pessoal. Viva o mestre KING!

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  8. Eu li esse livro e achei o máximo. O grande ponto é o que ele não precisa aterrorizar para fazer sucesso. Esse é um romance policial e acho que as histórias que são contadas em segundo plano também são importantes e despertam algo forte no leitor pela maneira que King os envolve. Preciso ler "Último turno" agora.

    Abraço.
    Diego, Blog Vida e Letras
    www.blogvidaeletras.blogspot.com

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  9. Também achei o livro como um elo pra ligar o primeiro e o terceiro, porém gostei bastante, e você percebeu que o nome da Agência (na tradução) é Achados e Perdidos(pag. 136)?
    Até entendi eles alterarem o titulo, talvez "Achado não é Roubado" não fosse tão vendável (o que é o objetivo da Editora afinal)
    Gostei muito da sua resenha!

    Beijinhos ;)

    patybookaholic.blogspot.com.br

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